* Episódio publicado em 3 de janeiro de 2025
Ao longo da história, a moeda sempre esteve vinculada ao controle estatal. Desde os tempos das moedas metálicas até o dinheiro digital que utilizamos hoje, o Estado tem desempenhado um papel central na definição e regulação do sistema monetário. No entanto, o surgimento do Bitcoin trouxe uma proposta inédita: uma moeda descentralizada, independente de governos ou bancos centrais.
Neste penúltimo episódio do Schivas Cast, exploramos como o Bitcoin desafia o sistema financeiro tradicional ao oferecer uma alternativa segura e escassa para proteger o patrimônio contra a inflação e o controle estatal. Schivas explica as características únicas dessa moeda digital, como sua segurança, descentralização e oferta limitada, além dos desafios que ela enfrenta para se tornar uma moeda estável. Compreender o Bitcoin é essencial para entender as transformações que estão moldando o futuro das finanças globais.

Para entender o Bitcoin como separação entre Estado e moeda, precisamos falar um pouco de história. Inicialmente, a moeda surgiu como algo físico, metálico—ouro, prata, bronze ou cobre. Essas moedas tinham valor intrínseco: quem as possuía poderia derretê-las e fabricar utensílios. No entanto, para transações maiores ou viagens entre cidades, carregar grandes quantidades de metais era perigoso e impraticável.
Foi assim que surgiram as casas bancárias. Nesses locais, você depositava suas moedas e recebia em troca um papel que dizia: “este papel equivale a tantas gramas de ouro, prata ou bronze”. Esse papel começou a circular como dinheiro, desde que a casa bancária fosse confiável. Com o tempo, esse papel substituiu as moedas metálicas por ser muito mais prático.
Hoje em dia, com o avanço tecnológico, nem mesmo esses papéis são necessários. Tudo se tornou digital: pagamentos por cartão de crédito, transferências via PIX no Brasil e outras operações eletrônicas. Porém, ao mesmo tempo em que tudo se digitalizou, ocorreu uma fusão completa entre governo e moeda. Ou seja, o dinheiro passou a ser totalmente controlado pelo Estado através dos bancos centrais.
O Banco Central define taxas de juros e pode criar reservas bancárias que se transformam em dinheiro novo na economia sem qualquer controle externo. Isso faz com que o dinheiro guardado pelas pessoas perca valor constantemente devido à inflação. Por exemplo, com uma inflação anual de 2%, em dez anos você já perdeu cerca de 20% do valor do seu dinheiro guardado.
Nesse contexto surge o Bitcoin como resposta: uma forma de dinheiro totalmente independente do controle estatal. Sem entrar em detalhes técnicos profundos, o Bitcoin é extremamente seguro por possuir duas camadas principais de proteção: mineração e nodes (nós). Por ser descentralizado, não pode ser controlado ou bloqueado por governos ou juízes. Se você possui Bitcoins armazenados em sua carteira pessoal (hardware wallet), ninguém pode impedir seu uso ou confiscar seus fundos.
Resumindo e simplificando bastante: do ponto de vista econômico, o Bitcoin representa a separação entre Estado e moeda—algo que faz muito sentido para quem busca proteger seu patrimônio da inflação causada pela emissão monetária estatal.
No entanto, para o Bitcoin se tornar efetivamente uma moeda no sentido completo da palavra ainda falta estabilidade no preço. A oferta máxima é limitada a 21 milhões de unidades, mas o valor exato de cada unidade ainda está sendo descoberto pelo mercado. Por isso ainda não é possível usar Bitcoin como unidade estável para contratos ou compras maiores (como imóveis ou carros), pois sua cotação varia muito frente aos bens e serviços cotidianos.
Por exemplo, sabemos que existe inflação no dólar americano—seja ela 10% ao ano após eventos como a pandemia da Covid-19 ou algo próximo a 3% ou 4% atualmente—mas essa variação é pequena comparada à volatilidade do preço do Bitcoin ao longo do tempo.
Neste momento (dezembro de 2024), o Bitcoin é um ativo digital escasso (máximo de 21 milhões) que não pode ser inflacionado nem confiscado por governos. Nenhum governo tem poder sobre os Bitcoins guardados por você. Essa característica é seu grande valor diferencial.
Embora existam muitas teorias sobre qual será o preço futuro do Bitcoin frente ao dólar ou outras moedas fiduciárias tradicionais, uma coisa é certa: ele tende a se valorizar continuamente frente às moedas estatais justamente porque não pode ser inflacionado artificialmente.
Outro ponto importante é a segurança da rede: quem sabe utilizar corretamente o sistema dificilmente perderá seus Bitcoins—basta armazenar adequadamente suas senhas (palavras-chave) em locais seguros.
Um exemplo recente dessa vantagem ocorreu quando a Rússia invadiu a Ucrânia: as reservas russas em dólares e euros foram imediatamente bloqueadas pelo Ocidente; já reservas em Bitcoin não poderiam ter sido bloqueadas dessa forma. A Rússia também foi excluída do sistema SWIFT (rede internacional de pagamentos), impossibilitando transações financeiras internacionais tradicionais—mas via Bitcoin isso seria possível.
Portanto, entender o Bitcoin implica compreender esses aspectos fundamentais: ele representa economicamente uma separação real entre Estado e moeda—algo inédito na história moderna das finanças globais.
Schivas é investidor desde 2006, sobrevivente da crise de 2008 chegando a lucrar com a correção do covid em 2020.
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