*Episódio publicado em 5 de janeiro de 2025
O mercado acionário americano, representado por índices como o S&P 500, é conhecido por sua tendência estrutural de alta ao longo do tempo. Mas o que sustenta essa trajetória ascendente? Quais são os fatores que garantem essa dinâmica positiva, mesmo em meio a crises e oscilações econômicas?
Neste último episódio do Schivas Cast, exploramos os dois pilares que explicam essa tendência: as recompras de ações pelas próprias empresas e o fluxo constante de compras passivas realizadas por grandes fundos institucionais, como fundos de pensão. Schivas analisa como essas práticas impactam o mercado e por que é essencial monitorar os movimentos dos grandes investidores institucionais. Compreender esses fatores é fundamental para quem deseja entender melhor o funcionamento do mercado americano e suas implicações para o longo prazo.

Neste episódio, vamos entender por que a tendência principal do mercado americano é sempre de alta. Por que o índice S&P 500 (SPX) está constantemente subindo? Existem dois motivos principais para isso, que são relativamente simples de compreender:
Primeiro motivo: recompra de ações pelas próprias empresas. Quando as empresas americanas possuem uma sobra de caixa e não encontram oportunidades interessantes para investir internamente, elas podem optar por recomprar suas próprias ações ou distribuir dividendos aos acionistas. A distribuição de dividendos gera impostos para quem recebe—por exemplo, investidores estrangeiros pagam 30% de imposto sobre dividendos recebidos nos Estados Unidos se não houver acordo fiscal entre os países. Já os investidores americanos também precisam declarar esses dividendos em seu imposto de renda anual.
Por outro lado, a recompra de ações é especialmente atraente para os diretores e executivos das empresas. Isso ocorre porque, mesmo que o lucro total da empresa tenha diminuído, ao recomprar ações e reduzir o número total de papéis em circulação, o lucro por ação pode aumentar. Como o lucro por ação é frequentemente utilizado como critério para bônus e premiações dos executivos, eles acabam sendo diretamente beneficiados por essa prática.
Para ilustrar com um dado real: nos últimos 10 anos, apenas a Apple gastou mais dinheiro recomprando suas próprias ações do que o valor somado das outras 490 menores empresas do índice S&P 500. Isso demonstra claramente a relevância dessa prática no mercado americano.
Segundo motivo: fluxo constante e passivo de compra por grandes fundos institucionais, como fundos de pensão. Tomemos como exemplo o fundo de pensão dos professores da Pensilvânia. Mensalmente, esse fundo recebe contribuições dos professores e precisa alocar esses recursos em ativos financeiros conforme seu perfil determinado previamente. Parte desse dinheiro vai para títulos do governo americano ou títulos privados com classificação triplo A (como Apple ou Amazon), mas outra parte significativa é destinada à compra de ações extremamente líquidas—geralmente índices como SPX ou Nasdaq.
Esses fundos não têm muita escolha devido ao seu tamanho: precisam investir em ativos altamente líquidos para poderem vender rapidamente caso necessário. Essa demanda constante cria uma pressão compradora permanente na bolsa americana, independentemente da cotação momentânea dos ativos.
No entanto, é importante lembrar que se esses grandes fundos institucionais decidirem inverter sua posição—ou seja, se resolverem vender ações para comprar outros ativos—o impacto negativo pode ser muito grande no mercado acionário americano devido ao volume gigantesco dessas instituições. Por isso é fundamental monitorar atentamente os movimentos desses grandes investidores institucionais.
Outro ponto relevante é que a avaliação da bolsa americana geralmente é feita em termos nominais (sem descontar inflação). Ou seja, se o mercado sobe 5% em um ano enquanto a inflação foi 10%, na prática não houve ganho real algum—mas nominalmente houve valorização. A maioria das pessoas considera apenas essa valorização nominal ao avaliar desempenho das bolsas.
Resumindo claramente: a tendência principal do mercado americano é sempre ascendente devido à combinação desses dois fatores principais—recompras massivas feitas pelas próprias empresas e fluxo constante de compras passivas pelos grandes fundos institucionais. Esses fatores explicam por que o mercado americano apresenta uma tendência estrutural positiva ao longo do tempo.
É importante acompanhar esses fatores constantemente: caso os grandes fundos institucionais decidam inverter suas posições e vender ações em larga escala para comprar outros ativos (como títulos públicos ou investimentos alternativos), isso pode causar quedas significativas no mercado acionário americano devido à magnitude dessas instituições.
Em resumo, enquanto a narrativa predominante permanecer positiva e esses dois fatores continuarem presentes (recompras corporativas e fluxo passivo institucional), a tendência estrutural do mercado americano continuará sendo predominantemente ascendente ao longo prazo.
Schivas é investidor desde 2006, sobrevivente da crise de 2008 chegando a lucrar com a correção do covid em 2020.
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📚💸 Quer saber mais sobre o mercado americano e suas dinâmicas? Leia estes artigos:
- Por que o mercado americano tende a subir? – https://www.infomoney.com.br/mercados/mercado-americano-tendencia-de-alta/
- Recompra de ações: Como funciona e seus impactos – https://www.valorinveste.com.br/mercados/recompra-de-acoes-impactos-mercado/
- O papel dos fundos institucionais no mercado – https://www.seudinheiro.com/2023/fundos-institucionais-e-mercado/
Mais uma vez, obrigado por acompanhar esta série! Nos vemos nos próximos projetos. 🚀
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